A VIDA É UM CLICHÊ
Falar de mim mesmo é a tarefa mais DIFICIL que encontrei, talvéz porque eu não saiba até hoje quem eu sou, talvéz também seja por isso que é tão dificil me esquecer e deixar de buscar a mim mesmo.
Tenho um nome e isso não me diz nada, em mim mora uma multidão e cada um se diz o correto, prefiro esquecer todos, acho que não sou ninguém. Não me vejo em mim, o direito de adjetivar as coisas não me pertence, então também não sou "olhar". Não sei falar de amor, adimirar um céu azul, reconhecer um rosto, são o que são e não vejo graça alguma nisso.
A vida é um clichê, a minha realmente é ‘uma sucessão de fatos inevitáveis’, ela mente, se desmente, mostra seu dispudor provando que "PODE" e extingue qualquer tipo de máscara e ornamento que pudesse encontrar em uma singularidade.
Infelizes são os poetas que abrem a boca pra falar de poesia e enchem os olhos de lágrimas diante a beleza "induvidável", depois morrem e acham que suas vidas foram suficientes para garantir um lugar no céu.
Infelizes e dissimulados, porque de fato não aceitam as coisas como são e vivem essa infelicidade e dissimulação de forma tão bonitinha que me da nojo. Infelicidade é infelicidade e dissimulação é dissimulação, não podem ser bonitinhas.
Já faz um tempo que me perdi e o engraçado é que nunca me encontrei, se foi alguém dentro de mim que parecia tão real que quase acredito, quase me enganei. Não quero dar espaço a isso, já não há mais espaço, a vida se baseia simplesmente no que prendemos na escola: "…nascemos, crescemos e morremos…". Já não temos mais nem o direito à reprodução, isso foi por água abaixo quando o primeiro que não teve cria, MORREU. Aliás, para morrer não precisa nem crescer, ou melhor, não se precisa nem nascer, por isso não posso contar a história de um monte de gente simplesmente porque não EXISTEM.
Acho que vou ser professor, deixar todos os meus alunos acreditando que algo existe quando não existe NADA. O melhor professor é esse, o que não sabe nada, porque aprendeu o suficiente pra acreditar que nada existe.
E mais uma vez vou deixando por aqui algumas páginas rabiscadas e muitas ainda em branco esperando descompromissadamente o toque da tinta e a borracha do tempo nas coisas escritas.
O desequilíbrio entre a grandeza da minha tarefa e a pequenez de meus conteporâneos ficou expresso no fato de que não me ouviram,nem sequer me viram.Eu vivo jogado a minha própria sorte… e talvez seja apenas um preconceito o fato de eu viver?
Comment by Lillith — May 1, 2009 @ 10:43 am
Um dos melhores textos que eu já li Sávio.
Contundente.
Comment by Néri — May 1, 2009 @ 11:52 am
‘Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo..
Sobre o que é o amor, sobre o que eu nem sei quem sou. Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou. Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor.. Lhe tenho amor, lhe tenho horror, lhe faço amor.. Eu sou um ator…(8′
Comment by ka. — May 1, 2009 @ 4:03 pm
e pra quê fechar os olhos e fingir que
nada ocorre.
Comment by Herllon — May 5, 2009 @ 4:01 pm