A VIDA É UM CLICHÊ
Falar de mim mesmo é a tarefa mais DIFICIL que encontrei, talvéz porque eu não saiba até hoje quem eu sou, talvéz também seja por isso que é tão dificil me esquecer e deixar de buscar a mim mesmo.
Tenho um nome e isso não me diz nada, em mim mora uma multidão e cada um se diz o correto, prefiro esquecer todos, acho que não sou ninguém. Não me vejo em mim, o direito de adjetivar as coisas não me pertence, então também não sou "olhar". Não sei falar de amor, adimirar um céu azul, reconhecer um rosto, são o que são e não vejo graça alguma nisso.
A vida é um clichê, a minha realmente é ‘uma sucessão de fatos inevitáveis’, ela mente, se desmente, mostra seu dispudor provando que "PODE" e extingue qualquer tipo de máscara e ornamento que pudesse encontrar em uma singularidade.
Infelizes são os poetas que abrem a boca pra falar de poesia e enchem os olhos de lágrimas diante a beleza "induvidável", depois morrem e acham que suas vidas foram suficientes para garantir um lugar no céu.
Infelizes e dissimulados, porque de fato não aceitam as coisas como são e vivem essa infelicidade e dissimulação de forma tão bonitinha que me da nojo. Infelicidade é infelicidade e dissimulação é dissimulação, não podem ser bonitinhas.
Já faz um tempo que me perdi e o engraçado é que nunca me encontrei, se foi alguém dentro de mim que parecia tão real que quase acredito, quase me enganei. Não quero dar espaço a isso, já não há mais espaço, a vida se baseia simplesmente no que prendemos na escola: "…nascemos, crescemos e morremos…". Já não temos mais nem o direito à reprodução, isso foi por água abaixo quando o primeiro que não teve cria, MORREU. Aliás, para morrer não precisa nem crescer, ou melhor, não se precisa nem nascer, por isso não posso contar a história de um monte de gente simplesmente porque não EXISTEM.
Acho que vou ser professor, deixar todos os meus alunos acreditando que algo existe quando não existe NADA. O melhor professor é esse, o que não sabe nada, porque aprendeu o suficiente pra acreditar que nada existe.
E mais uma vez vou deixando por aqui algumas páginas rabiscadas e muitas ainda em branco esperando descompromissadamente o toque da tinta e a borracha do tempo nas coisas escritas.