Esqueça os Finais.
" Maio
já está no final
O que somos nós afinal
se já não nos vemos mais
Estamos longe demais
longe demais…"
" Maio
já está no final
O que somos nós afinal
se já não nos vemos mais
Estamos longe demais
longe demais…"
Hoje transcendi, fui bater no além…
e um pouquinho mais.
Me deixei levar, não precisei abrir os braços pra fingir voar
e volé, v o l é , v o l é , v o l é.
Sinto cada fio de cabelo como se mordesse minha cabeça
nos meus olhos a expressão do invisivel.
Ainda tenho a textura da energia na boca
tem sabor de musgo e bordô.
E se alguém por mim perguntar, por favor, diga que não tô.
Radiohead
Sem Surpresas
Um coração que está cheio como um aterro
Um emprego que te mata lentamente
Feridas que não vão cicatrizar
Você parece tão cansado e infeliz
Bote abaixo o governo
Eles não, eles não falam por nós
Eu vou levar uma vida tranqüila
Um aperto de mão de monóxido de carbono
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas.
Silencioso silêncio
Este é o meu último ataque,
Minha última dor de barriga
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas, por favor
assim como uma linda casa,
assim como um lindo jardim
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas, por favor.
Falar de mim mesmo é a tarefa mais DIFICIL que encontrei, talvéz porque eu não saiba até hoje quem eu sou, talvéz também seja por isso que é tão dificil me esquecer e deixar de buscar a mim mesmo.
Tenho um nome e isso não me diz nada, em mim mora uma multidão e cada um se diz o correto, prefiro esquecer todos, acho que não sou ninguém. Não me vejo em mim, o direito de adjetivar as coisas não me pertence, então também não sou "olhar". Não sei falar de amor, adimirar um céu azul, reconhecer um rosto, são o que são e não vejo graça alguma nisso.
A vida é um clichê, a minha realmente é ‘uma sucessão de fatos inevitáveis’, ela mente, se desmente, mostra seu dispudor provando que "PODE" e extingue qualquer tipo de máscara e ornamento que pudesse encontrar em uma singularidade.
Infelizes são os poetas que abrem a boca pra falar de poesia e enchem os olhos de lágrimas diante a beleza "induvidável", depois morrem e acham que suas vidas foram suficientes para garantir um lugar no céu.
Infelizes e dissimulados, porque de fato não aceitam as coisas como são e vivem essa infelicidade e dissimulação de forma tão bonitinha que me da nojo. Infelicidade é infelicidade e dissimulação é dissimulação, não podem ser bonitinhas.
Já faz um tempo que me perdi e o engraçado é que nunca me encontrei, se foi alguém dentro de mim que parecia tão real que quase acredito, quase me enganei. Não quero dar espaço a isso, já não há mais espaço, a vida se baseia simplesmente no que prendemos na escola: "…nascemos, crescemos e morremos…". Já não temos mais nem o direito à reprodução, isso foi por água abaixo quando o primeiro que não teve cria, MORREU. Aliás, para morrer não precisa nem crescer, ou melhor, não se precisa nem nascer, por isso não posso contar a história de um monte de gente simplesmente porque não EXISTEM.
Acho que vou ser professor, deixar todos os meus alunos acreditando que algo existe quando não existe NADA. O melhor professor é esse, o que não sabe nada, porque aprendeu o suficiente pra acreditar que nada existe.
E mais uma vez vou deixando por aqui algumas páginas rabiscadas e muitas ainda em branco esperando descompromissadamente o toque da tinta e a borracha do tempo nas coisas escritas.