Quintana que me perdoe.

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Mando tudo se lascar!

Eles passarão.
Eu sabiá!!!

Sozinho

Hoje eu só queria ficar sozinho, sair
Dar meia volta no espaço e seguir, sentar
Porque hoje eu conheci um caminho
Que me ensina a estar sozinho
E nele não seconjuga o verbo "ser" nem "amar"

Um grito no tempo, tumultuado
De gente e palavra, que dança
Ainda que se entope num ouvido
Um belo beijo e grunido
De um estranho qualquer

É pele seca e opaca, descasca
É cinza, é pó, corroi
E o tempo que passa, tumultuado
Se transforma em caminho
De fiapo e cerol
Enfarpado de espinho

E hoje eu só queria ficar sozinho
Encostar, encolher, quietinho
Levantar, percorrer, o caminho
De fiapo e cerol

Abandono.

Abandono primeiramente a espera.
Abandono a ansiedade, a frustração.
Abandono velhos habitos nocivos,
Inclusive erros instintivos.
Abandono toda e qualquer guerra,
Não por covardia, mas por nunca saber
Quem é o verdadeiro vencedor,
E ainda, se a causa é justa.
E mesmo se justa for, simplesmente abandono.
Onde há guerra não há "amor".

Abandono também o amor.
Fico com a amizade e a empatia.
O amor está ultrapassado.
Materia de dificil aceitação.
Desconfio inclusive que o amor
Seja pura invenção, vaidade.
Uma desculpa criada para justificar
as nossas necessidades carnais e inseguranças.
Fico definitivamente com a empatia.
Me apego à solidariedade.
Deixo o amor aos poetas desocupados.

Abandono o meu egoísmo
Minha depressão.
Todo depressivo é egocêntrico
Tende a olhar somente para a sua dor.
Existem dores maiores,
E coisas maiores que esperam para doer.
Então espero pacientemente
qualquer dor verdadeira
Que realmente mereça atenção.

Abandono as minha roupas
Em qualquer lugar,
Pra qualquer lavar.
Do meu corpo cuido eu,
E abandono meu corpo em qualquer lugar.
Porque agora não sou mais corpo.
Agora sou alma suja,
E essa eu lavo com as proprias mãos.

Abandono as inutilidades,
As conversas inconclusivas,
As pessoas inconclusivas.
As almas forjadas e manipuladas.
Pois quem não é dono do seu proprio destino
Não pode ser dono do meu.

Abandono as pessoas mesquinhas,
Que acham ser donas de poesia
Ah….reis e rainhas da filosofia.
E não sabem que a vida tem um preço maior,
Um preço em moeda corrente,
Em fila de banco, na farmácia.
A vida tem fome, os poetas não.
E vão se limitando em seu mundo imaginário.
Não há porra de poesia nenhuma em uma pedra
Nem no Corcovado, nem nas estrelas.
Estrela, filho, é grande e quente pra caralho.
Todo o resto a gente inventa.
Por pura vaidade.

Portanto abandono a poesia,
Pela simples inutilidade da mesma.
A partir de agora, quando eu quiser que me ouçam
Pago um analista, ou uma prostituta.
Ambos tem a obrigação de me ouvir.

Abandono Drummond, Quintana e Bandeira.
Estão todos mortos, e é tudo inútil.
Eu, meus caros leitores,
Ao invéns de perpetuar essa inutilidade: escrever,
Quero ler sobre imortalidade.
E qualquer poesia que não me faça viver para sempre
É uma total falta de propósito.

Muito Prazer,sou Tammy

       Prazer&Êxtase

O prazer se
faz em êxtase:
quando o
meu corpo,
feito água,
descobre
todos os
caminhos
do seu.
E deixa-se
ficar
onde você
mergulha em
mim.

 

*P.S.:poesia empírica

Pluie d’Indifférence

A chuva cai pesada por aqui e o clima é bom
Que falta o teu sorriso, que falta o teu batom,
Que falta tua aqui.

Mas você não merece o meu desespero,
E esse resto do teu cheiro
vai saindo do meu pêlo,
Escorrendo pelo chão.

Quando a chuva me lava
Sem pressa ou pudor
Minha alma se espalha,
Eu escorro pela calha,
Eu dou de beber à flor.

Porque a chuva e eu somos um só
E o que era pó, deita na terra molhada
E apesar da pegada encharcada
Todo o resto se apaga.

A chuva cai tão farta por aqui e o céu escuro,
Me faz pensar tão claro, me faz sentir mais puro
Sem você aqui.

Porque você não merece nem carinho e nem apego,
E esse resto de sossego
Vai crescendo quando chego
Tanto mais longe de ti.

Quando a chuva me redime
Sem raiva ou rancor,
Todo o medo se suprime
E eu percebo não ser crime
Deixar morrer esse amor.

Porque a chuva e eu somos um só
E o que era pó, deita na terra molhada
E apesar da pegada encharcada
Todo o resto se apaga.

Porque a chuva e eu somos um só
E agora é só: cada um na sua estrada
E apesar dessa história toda errada
Ainda quero ser feliz.

As Flores do Mal.

Eu quis você
E me perdi, você não viu
E eu nem senti
Não acredito nem vou julgar
Você sorriu, ficou e quis me provocar
Quis dar uma volta em todo o mundo
Mas não é bem assim que as coisas são
Seu interesse é só traição
E mentir é fácil de mais
Mentir é fácil de mais
Mentir é fácil de mais
Mentir é fácil de mais
Tua indecência não serve mais
Tão decadente e tanto faz
Quais sÃo as regras? O que ficou?
O seu cinísmo essa sedução
Volta pro esgoto baby
Vê se alguem lhe quer
O que ficou é esse modelito da estação passada
Extorsão e drogas demais
Todos já sabem o que você faz
Teu perfume barato, teus truques banais
Você acabou ficando pra trás
Porque mentir é facil de mais
Mentir é fácil de mais
Mentir é fácil de mais
Mentir é fácil de mais
Volta pro esgoto baby
E vê se alguém lhe quer.  ´Renato Russo