Ganas

"Tengo ganas de acostarme contigo, besarte la boca y sentir el gusto que de ella viene. Tengo ganas de despertarme a tu lado, en un dia caliente y mirar tu cuerpo desnudo a camiño del baño. Tengo ganas de abrazarte un rato, pero no mucho, para que yo tenga muchas ganas en todos los momentos en que vos estuvier conmigo".

Um pouco só.

           Minha máquina de abraçar cansou de mim, dizendo ela que tá cansada e foi dormir.

Gentileza gera gentileza.

               Há mais ou menos duas semanas eu estava no Rio de janeiro e passando pelo viaduto que vai do Cajú à rodoviária de Novo Rio pude ler nas pilastras algo que me chamou bastante atenção. Eram escritos que falavam de amor à natureza, bondade e gentileza, então me lembrei de um documentário do Luíz Eduardo Amaral e Vinicius Reis, feito à respeito de José Datrino, um senhor que percorreu os quatro cantos do Brasil pregando a gentileza. José Datrino, também conhecido como o Profeta Gentileza, após atingir um estado de alegria plena, deixou sua casa e começou sua peregrinação pregando de forma humilde o que falta muito entre nós hoje em dia.

              Considerado por muitos como louco, Gentileza não perdia a gentileza, dizia ele: -"Sou maluco para te amar e louco para te salvar". Fazia jus ao que lhe chegava aos ouvidos. Eu me pergunto que tipo de loucura é essa, porque eu quero uma dose. E parece que não só eu, Gentileza já foi homeageado em canções de Gonzaguinha e Marisa Monte, além de ser inspirador de muitas ONGs.

              No dia 29 de maio de 1996, aos 79 anos, morre o paulistano ao lado de sua família, onde está enterrado no Cemitério Saudades.

Aos que estão interessados segue o link que dá acesso ao documentário http://www.portacurtas.com.br/pop4_160.asp?cod=4955&Exib=1

Muita paz, amor, luz e boas vibrações a todos nós!!!!

AVATAR

              Hoje fui ao cinema ver o famoso filme Avatar, confesso que sempre tenho certo receio em ver filmes, ler livros, assistir uma peça de teatro quando estes lotam salas e se tornam Best-sellers ao redor do mundo. Não pelo fato de serem ou não bons, mas pelo fato da expectativa que criamos diante de tanta propaganda que muitas vezes subestima e impede a nossa capacidade de perceber e refletir.

               O filme se trata certamente de uma guerra, entre a realidade e o que por várias vezes é citado como conto de fadas. Nesse conto de fadas conhecido também como Pandora, encontramos seres chamados Na’vis, cujo único objetivo é administrar suas comunidades de forma respeitosa e holisticamente com a natureza. Dentro de uma organização social matriarcal, a mulher está sempre em destaque, pondo em prova sua verdadeira capacidade de caçar, cantar e tomar decisões sérias na tribo. Inclusive seus ritos espirituais são dirigidos à Eywa,  mãe-natureza responsável pelo equilíbrio da vida em Pandora.

                Quem conhece a história mitológica da Caixa de Pandora, encontra muita relação com o filme, diante tal beleza e equilíbrio natural em que vivem os Na’vis, o homem com o seu poder colonial de exploração e sua ambição materialista encontra em Pandora um local excelente para expor todos os seus males. Esperamos então, durante todo o filme, de que forma a esperança sairá do fundo da caixa e resolverá a destruição já causada por nós seres humanos. Sentimos uma força angustiante ao perceber tudo isso, vemos o que somos e o que fomos, é como se levássemos um tapa na cara e não tivéssemos o direito de desviar.

                Os Na’vis estão em pleno contato com a natureza, eles fazem parte dela como um todo, possuem organismos que servem de elos, cuja função é entrar em contato com os sentimentos e sentidos de qualquer animal, mineral e vegetal que possa existir nesse planeta. Não tenho a menor dúvida de que se não existisse televisão, celular e computador, já teríamos na cabeça os fios luminosos de contato com a vida que aparecem no filme (risos).

                A morte assume um papel digno e importante, os velhos e os ancestrais são fontes de conhecimento, sabedoria e ternura. Não existe fome, sede, doença e apropriação privada de moradia. São todos livres e capazes de subsistência e não possuem a relação de exploração do “homem pelo homem". A idéia do coletivo e o ‘espaço do outro em si’ pode ser muito bem observado. Talvez tudo isso seja mesmo um conto de fadas, então nos tornamos cientistas e provamos cientificamente de que nada disso é possível. Depois de um filme como este, voltamos pra casa com um nó na garganta, com a sombra da culpa do que fizemos com a gente mesmo. O filme é a guerra do que há em nós e ao nosso redor, é um apelo por aquilo que ainda podemos preservar, pelos verdadeiros valores e por tudo aquilo que fazemos enquanto sabemos que fazemos tudo errado.

Se tudo que vai, volta. Então por quê vai?

"Que voltem todos meus amigos,

A tempo de me ver partir"

É o que diz a boca do profeta.

E eu ainda acreditando em "tudo que vai, volta".

 

Passam-se as horas e eu fico, ainda me acostumando com o relógio parado no pulso, imaginando toda aquela multidão caindo como peças de dominó. Chega a ser engraçado.

O Tempo não é tão importante, - aprendi a acreditar nisso AGORA? é Tempo - percebo  com intimidade seu sorriso de deboche.

-Quer ver o que eu posso fazer com vocês?

Diz o Tempo.

Eu ali de lado em pé e neutro vendo todos se enrolando por si só. 

Passam-se as pessoas, as convesas, as portas fecham, a noite cai e o bêbado levanta.

- Mais uma dose de cachaça.

Diz o bêbado apalpando o bolço vazio.

- O Tempo não passa, as pessoas que se movem no espaço.

Digo eu, parado, neutro e intacto.

Entre nós

Meu desejo submisso, é a linha da escravidão
O que se torna propício, não é sentimento, vira confusão
Você se foi já ha algum tempo, e por força do costume não sai do lugar
Quero um tempo pra pensar
Quero um tempo pra pensar
Ver no que pode dar
Se um dia eu te disser
Que já nao existe nada entre nós

O teu gosto indeciso, teu conflito vicioso
O que falará se eu te disser o que eu penso?
O que sentira se te disser que eu não te sinto?
Quero um tempo pra sentir
Quero um tempo pra sentir
Ver no que pode dar
Deixar voltar se tiver de voltar
O que existiu entre nós

Nosso rosto colado é papel de parede no celular
Quantos dias ficarão lá, até eu "sem querer" apagar?
Já não dá pra te ver, engarrafou o transito, tô vendo TV
Não quero motivos pra mentir
Não quero motivos pra mentir
Até que de joelhos você me peça
E mais uma vez te darei
Só pra te ver mais feliz.

Não falarei de saudade, amor

Ainda que você esteja longe

Ainda que eu sinta

Não falarei

Não vou dizer que sinto teu perfume

Ainda que sentindo

Me esfrego no vão da porta

Forte, cítrico e amadeirado

Não regarei as plantas no vaso de barro

Ainda que morrendo

Esperarão por ti a gota de alivio

Em um simples gesto de vida

Não escreverei nem mancharei no retrato uma marca de beijo

Ainda que escorra da minha boca a vontade de te beijar

Não beijarei

Deixarei guardado

E por fim

Quando eu deixar de fazer tudo o que deveria

Assumirei no réu o papel de mentiroso

E pagarei a pena por já ter feito

Tudo o que disse que não faria.

Tudo que vai, volta.

A carta que não encontra destino, volta.

O amor que encontra destino volta,

O intestino? voltas e voltas.

Quem abandona por desatino volta.

 

A mulher que te ama, se ama, volta.

O olhar tímido, se volta.

O medo, vira e mexe, vai e volta.

 

Meu primo, foi embora.Mas quinta-feira ele volta.

Vai chegar meia noite,no espaço entre os dias.

E Jamildo que vive indo, tem Carlos que sempre volta.

Tem dia que eu vou sem volta.

Tem dia que eu volto antes de ir.

 

Tem dia que espero lá,

Tem outros que me guardo aqui.

Que voltem todos meus amigos,

A tempo de me ver partir.

Tomarei um copo de reticências.