Se tudo que vai, volta. Então por quê vai?
"Que voltem todos meus amigos,
A tempo de me ver partir"
É o que diz a boca do profeta.
E eu ainda acreditando em "tudo que vai, volta".
"Que voltem todos meus amigos,
A tempo de me ver partir"
É o que diz a boca do profeta.
E eu ainda acreditando em "tudo que vai, volta".
Passam-se as horas e eu fico, ainda me acostumando com o relógio parado no pulso, imaginando toda aquela multidão caindo como peças de dominó. Chega a ser engraçado.
O Tempo não é tão importante, - aprendi a acreditar nisso AGORA? é Tempo - percebo com intimidade seu sorriso de deboche.
-Quer ver o que eu posso fazer com vocês?
Diz o Tempo.
Eu ali de lado em pé e neutro vendo todos se enrolando por si só.
Passam-se as pessoas, as convesas, as portas fecham, a noite cai e o bêbado levanta.
- Mais uma dose de cachaça.
Diz o bêbado apalpando o bolço vazio.
- O Tempo não passa, as pessoas que se movem no espaço.
Digo eu, parado, neutro e intacto.
Meu desejo submisso, é a linha da escravidão
O que se torna propício, não é sentimento, vira confusão
Você se foi já ha algum tempo, e por força do costume não sai do lugar
Quero um tempo pra pensar
Quero um tempo pra pensar
Ver no que pode dar
Se um dia eu te disser
Que já nao existe nada entre nós
O teu gosto indeciso, teu conflito vicioso
O que falará se eu te disser o que eu penso?
O que sentira se te disser que eu não te sinto?
Quero um tempo pra sentir
Quero um tempo pra sentir
Ver no que pode dar
Deixar voltar se tiver de voltar
O que existiu entre nós
Nosso rosto colado é papel de parede no celular
Quantos dias ficarão lá, até eu "sem querer" apagar?
Já não dá pra te ver, engarrafou o transito, tô vendo TV
Não quero motivos pra mentir
Não quero motivos pra mentir
Até que de joelhos você me peça
E mais uma vez te darei
Só pra te ver mais feliz.
Não falarei de saudade, amor
Ainda que você esteja longe
Ainda que eu sinta
Não falarei
Não vou dizer que sinto teu perfume
Ainda que sentindo
Me esfrego no vão da porta
Forte, cítrico e amadeirado
Não regarei as plantas no vaso de barro
Ainda que morrendo
Esperarão por ti a gota de alivio
Em um simples gesto de vida
Não escreverei nem mancharei no retrato uma marca de beijo
Ainda que escorra da minha boca a vontade de te beijar
Não beijarei
Deixarei guardado
E por fim
Quando eu deixar de fazer tudo o que deveria
Assumirei no réu o papel de mentiroso
E pagarei a pena por já ter feito
Tudo o que disse que não faria.
A carta que não encontra destino, volta.
O amor que encontra destino volta,
O intestino? voltas e voltas.
Quem abandona por desatino volta.
A mulher que te ama, se ama, volta.
O olhar tímido, se volta.
O medo, vira e mexe, vai e volta.
Meu primo, foi embora.Mas quinta-feira ele volta.
Vai chegar meia noite,no espaço entre os dias.
E Jamildo que vive indo, tem Carlos que sempre volta.
Tem dia que eu vou sem volta.
Tem dia que eu volto antes de ir.
Tem dia que espero lá,
Tem outros que me guardo aqui.
Que voltem todos meus amigos,
A tempo de me ver partir.
Já tens na cara a maquiagem borrada baby!
Se esqueceu que viria à minha casa depois da noite?
Vieste me fazer de cofre seguro, um lugar bem escuro para esconder teu açoite?
Te olha e diz pra mim
Qual a parte da moeda mais dificil de ser digerida?
Dilaceraste a um outro e vieste cuspir na minha ferida?
O que sentes ao ver que sofrimento tem fim?
E eu que tomei tua amargura e sensura
Me fiz de bêbado na clausura de qualquer botequim
…
A fossa é mais funda do que a gente pensa né baby?
Quantos becos tombastes, quantas campainhas sonastes, achando que era a certa!
Quero que vá embora!
Comprarei o pão que já é hora, alguém comigo mora
E a qualquer momento desperta
baby, baby, baby…
Rompiste a porta frágil ao entrar
E quando fostes, outros puderam entrar
…
Bye baby!
" Maio
já está no final
O que somos nós afinal
se já não nos vemos mais
Estamos longe demais
longe demais…"
Hoje transcendi, fui bater no além…
e um pouquinho mais.
Me deixei levar, não precisei abrir os braços pra fingir voar
e volé, v o l é , v o l é , v o l é.
Sinto cada fio de cabelo como se mordesse minha cabeça
nos meus olhos a expressão do invisivel.
Ainda tenho a textura da energia na boca
tem sabor de musgo e bordô.
E se alguém por mim perguntar, por favor, diga que não tô.
Radiohead
Sem Surpresas
Um coração que está cheio como um aterro
Um emprego que te mata lentamente
Feridas que não vão cicatrizar
Você parece tão cansado e infeliz
Bote abaixo o governo
Eles não, eles não falam por nós
Eu vou levar uma vida tranqüila
Um aperto de mão de monóxido de carbono
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas.
Silencioso silêncio
Este é o meu último ataque,
Minha última dor de barriga
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas, por favor
assim como uma linda casa,
assim como um lindo jardim
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas,
Sem alarmes e sem surpresas, por favor.
Falar de mim mesmo é a tarefa mais DIFICIL que encontrei, talvéz porque eu não saiba até hoje quem eu sou, talvéz também seja por isso que é tão dificil me esquecer e deixar de buscar a mim mesmo.
Tenho um nome e isso não me diz nada, em mim mora uma multidão e cada um se diz o correto, prefiro esquecer todos, acho que não sou ninguém. Não me vejo em mim, o direito de adjetivar as coisas não me pertence, então também não sou "olhar". Não sei falar de amor, adimirar um céu azul, reconhecer um rosto, são o que são e não vejo graça alguma nisso.
A vida é um clichê, a minha realmente é ‘uma sucessão de fatos inevitáveis’, ela mente, se desmente, mostra seu dispudor provando que "PODE" e extingue qualquer tipo de máscara e ornamento que pudesse encontrar em uma singularidade.
Infelizes são os poetas que abrem a boca pra falar de poesia e enchem os olhos de lágrimas diante a beleza "induvidável", depois morrem e acham que suas vidas foram suficientes para garantir um lugar no céu.
Infelizes e dissimulados, porque de fato não aceitam as coisas como são e vivem essa infelicidade e dissimulação de forma tão bonitinha que me da nojo. Infelicidade é infelicidade e dissimulação é dissimulação, não podem ser bonitinhas.
Já faz um tempo que me perdi e o engraçado é que nunca me encontrei, se foi alguém dentro de mim que parecia tão real que quase acredito, quase me enganei. Não quero dar espaço a isso, já não há mais espaço, a vida se baseia simplesmente no que prendemos na escola: "…nascemos, crescemos e morremos…". Já não temos mais nem o direito à reprodução, isso foi por água abaixo quando o primeiro que não teve cria, MORREU. Aliás, para morrer não precisa nem crescer, ou melhor, não se precisa nem nascer, por isso não posso contar a história de um monte de gente simplesmente porque não EXISTEM.
Acho que vou ser professor, deixar todos os meus alunos acreditando que algo existe quando não existe NADA. O melhor professor é esse, o que não sabe nada, porque aprendeu o suficiente pra acreditar que nada existe.
E mais uma vez vou deixando por aqui algumas páginas rabiscadas e muitas ainda em branco esperando descompromissadamente o toque da tinta e a borracha do tempo nas coisas escritas.